Biofilme no Trocador de calor, o que fazer?

Autora: Maria Isabel Landim Neves

1. Introdução ao Problema

Em um laticínio, os trocadores de calor são fundamentais para a pasteurização do leite. Este processo deve ser eficiente e seguro, garantindo que todos os microrganismos patógenos sejam eliminados sem comprometer a qualidade do produto. No entanto, o acúmulo de biofilme em superfícies internas do trocador de calor pode causar sérios problemas. O biofilme é uma camada de microrganismos que se aderem às superfícies e formam uma proteção em torno deles, dificultando a eliminação completa durante a limpeza CIP e prejudicando a transferência de calor.

 

2. Descrição do Problema

Em um estudo de caso real, um laticínio começou a apresentar problemas na eficiência do processo de pasteurização. Apesar de seguir os procedimentos padrões de limpeza e manutenção, o equipamento apresentou aumento da pressão de operação e uma queda na eficiência da transferência de calor. Após inspeções, foi descoberto que o trocador de calor estava contaminado por um biofilme espesso, formado principalmente por bactérias lácticas e outros microrganismos que se proliferaram em condições ideais de temperatura e umidade.

Consequências do biofilme:

  • Redução da eficiência térmica: O biofilme atua como um isolante térmico, reduzindo a transferência de calor.
  • Contaminação do produto: Microrganismos que sobrevivem à pasteurização podem comprometer a segurança do leite.
  • Aumento dos custos de operação: A necessidade de limpar e desinfetar com mais frequência aumenta os custos de manutenção.
  • Possíveis danos ao equipamento: Biofilmes podem contribuir para a corrosão e deterioração nas placas do trocador de calor.

 

3. Análise e Causas

A formação de biofilme em trocadores de calor pode ocorrer por diversos fatores:

  • Temperatura e umidade: Condições de operação que favorecem a adesão e crescimento de microrganismos.
  • Higiene inadequada: Procedimentos de limpeza que não removem eficazmente o biofilme.
  • Águas duras: Presença de minerais que podem contribuir para a formação de depósitos que servem como suporte para o biofilme.
  • Falta de monitoramento: Inspeções e testes irregulares para detectar a formação de biofilmes.

 

4. Soluções Propostas

Para resolver problemas de biofilme, é importante adotar uma abordagem multifacetada:

  • Revisão dos procedimentos de limpeza: Garantir que os métodos de limpeza e desinfecção incluam processos de remoção de biofilmes, como o uso de detergentes enzimáticos e agentes químicos especializados.
  • Uso de técnicas de limpeza em alta temperatura: Aumentar a temperatura dos ciclos de limpeza, se possível, para desintegrar o biofilme.
  • Monitoramento e inspeção regular: Implementar um programa de inspeção que envolva a análise de amostras para detectar a presença de biofilmes.
  • Tratamento com agentes antimicrobianos: Uso de soluções que combinem agentes antimicrobianos para prevenir a formação de biofilmes.
  • Tratamento da água: Uso de sistemas de filtragem e amaciamento de água para reduzir os minerais e evitar depósitos que possam servir como base para o biofilme.
  • Troca da solução CIP: Mudar o tipo de ácido, ou até mesmo a concentração destes durante o CIP pode facilitar a remoção do biofilme. Adicionalmente, usar Hipoclorito de sódio, que é um desinfetante.

 

Conclusão

Muitas vezes por não saber a causa e não conseguir “cortar o mal pela raiz”, empresas tomam medidas ineficazes e muitas vezes com altos custos, como até, por exemplo, trocar as placas do trocador de calor. Mas em muitos casos, soluções simples podem ser usadas para mitigar o biofilme como trocar a solução CIP, ou até mesmo fazer uma limpeza com temperaturas maiores do que as que estão sendo usadas e depois, manter um maior controle do processo CIP para garantir a manutenção das placas livres de biofilme.